magno fernandes dos reis

As Aventuras Musicais de Marina Jardim

A obra artística de Marina Jardim responde de modo simbólico a forma desta jovem pintora interpretar a realidade. As obras recentes são registros de brinquedos populares e poéticos, com uma renovada visão de piões, pipas e canções de roda. Com pinceladas circulares, Marina resgata a essência dos enigmas existentes no Vale do Jequitinhonha. As pinturas são fragmentos do tempo e do espaço e complementos de notas musicais.

Entramos num ambiente cada vez mais impreciso onde as referências ao mundo real se diluem criando uma realidade autônoma com um valor interior. Volta-se a atenção em direção à infância num claro processo de desmaterialização.

Com um primoroso traço, as linhas adquirem a presença de códigos com misteriosas leituras ancestrais. O agrupamento de linhas reveste as obras de uma tensão vital de energias  que cria um ritmo que nos sugerem a fascinação de um conjunto mágico do universo da criança.

A repetição de temas com sutis variantes, concedem um caráter musical a pintura. São sílabas cromáticas que emitem sons. A cor é uma evocação, despregando tons vermelhos, azuis e violetas. As tonalidades são harmoniosas de uma escala cromática tênue e fina, revitalizada com precisos toques da artista. As tonalidades propõem texturas virtuais que outorgam sensualidade a expressão artística.

A obra de Marina Jardim acrescenta novas qualidades a linguagem plástica. É uma artista que atreve, que inova, que não interrompe a pesquisa diante suas conquistas. É uma pintora de extrema intuição, que já conquistou espaço no panorama das artes plásticas de Minas Gerais. Acredito que estamos diante de uma artista de uma sensibilidade musical.

Belo Horizonte, março de 2004

Magno Fernandes dos Reis

Jornalista, pós-graduado em jornalismo pela FAFI-BH, mestrado em História da Arte pela Universidade Nacional Autônoma do México–UMA.

Membro  da Associação Brasileira de Críticos de Arte– AICA seção Brasil.